O que é neuralgia do trigêmeo, quais os sintomas e tratamentos?

Neuralgia do trigêmeo, ou nevralgia do trigêmeo, provoca uma dor absolutamente inesquecível. É uma dor muito, muito forte que pega um lado da face, dura segundos e desaparece. O problema é que ela geralmente volta com grande intensidade, em intervalos de tempo variáveis. A neuralgia do trigêmeo se distribui segundo três territórios especiais: a região frontal que toma a órbita ocular e parte do nariz , a região malar que se estende até a asa do nariz e parte do lábio superior  e a região temporal que passa pelo lado do ouvido e acompanha a mandíbula ou maxilar inferior.
O nervo do trigêmeo, um par de nervos cranianos, recebe esse nome porque tem três ramos: o ramo oftálmico, o ramo maxilar (acompanha o maxilar superior) e o ramo mandibular (acompanha a mandíbula ou maxilar inferior). Como vários outros nervos da face, é um nervo sensitivo que controla as sensações que se espalham pelo rosto. Por isso, a dor se distribui de acordo com o ramo acometido.

 As pessoas são capazes de relatar com detalhes o dia e as circunstâncias do momento, mesmo que o episódio doloroso tenha ocorrido muitos anos antes. Aliás, a neuralgia do trigêmeo é considerada uma das dores mais violentas que afligem o ser humano. Talvez, por esse motivo, as crises nunca sejam esquecidas.
Em geral, o primeiro episódio é inesquecível e pode repetir-se numa freqüência extremamente variável de paciente para paciente. Às vezes, ocorre duas, três vezes por dia e em qualquer horário. Também é comum ouvir que, durante anos, as crises eram diárias, desapareceram por seis meses e depois voltaram com mais intensidade e freqüência.

Portanto, a dor em fisgada, repetitiva, sem razão aparente que caracteriza a neuralgia do trigêmeo pode sumir por períodos longos, mas há o risco de que volte a manifestar-se mais freqüente, progressiva e intensamente.

A causa da neuralgia essencial do nervo trigêmeo não é conhecida. No entanto, sabe-se que algumas situações podem provocar a dor. Por exemplo, tumores benignos, meningiomas, neurinomas do nervo trigêmeo são causas comuns de neuralgia trigeminal. Malformação dos vasos localizados na região posterior do encéfalo também pode provocar sintomas similares. Nos casos em que existe um fator orgânico provocador, geralmente o exame neurológico revela alterações, pois além da referencia à dor paroxicística, da dor em choque, existe uma sensação de dormência, de formigamento na face. Já nos 95% dos pacientes com neuralgia sem causa determinada, o exame neurológico é absolutamente normal.
O tempo varia muito. Pode haver meses ou anos de intervalo. O mais comum são os intervalos de semanas ou de poucos meses entre uma crise e outra. Intervalos de anos constituem as exceções.
Outro dado importante para diagnóstico é a neuralgia do trigêmeo nunca ser uma dor bilateral. Numa fase da vida, ela pode atingir um lado, depois passar para o outro, mas nunca se manifesta nos dois ao mesmo tempo. Uma crise dos dois lados é considerada uma raridade.

Em se tratando de neuralgia do trigêmeo, o mais simples é o tratamento medicamentoso e a primeira escolha recai sobre drogas anticonvulsivantes já consagradas no mundo todo. Atualmente há um arsenal de medicamentos comprovadamente eficazes no controle das crises álgicas da neuralgia trigeminal com boa tolerância e boa resposta farmacológica com menos efeitos adversos. No início, esses medicamentos podem ser administrados em doses menores, mas, se necessário, elas poderão ser aumentadas progressivamente.
Embora esses medicamentos possam controlar, às vezes por tempo longo, às vezes por toda a vida, a crise de dor do paciente, é preciso pôr na balança os benefícios e os efeitos adversos que o uso dessas drogas produz.

A neuralgia do trigêmeo predomina na terceira idade. Às vezes, há necessidade de ir aumentando progressivamente a dose de tal forma que surgem efeitos colaterais. Doses muito elevadas desses medicamentos que, em geral, são anticonvulsivantes, podem provocar desequilíbrio, tontura, diminuição da capacidade de raciocínio.

De qualquer maneira, esse tratamento conservador costuma ser bastante eficaz, mas requer avaliação periódica das condições do paciente para aumentar as doses guardando margem de segurança.
Vamos considerar três hipóteses: o paciente não tolera o medicamento, desenvolve alergia por ele ou atingiu a dose limite sem resultados efetivos. Nesses casos, para tratar a neuralgia do trigêmeo existe o tratamento cirúrgico através de técnicas cirúrgicas diferentes que podem aliviar a dor. Porém, é sempre importante a consulta com um médico especializado para definir a escolha entre o tratamento conservador (não cirúrgico) e o tratamento cirúrgico e avaliar suas vantagens e desvantagens.