Envelhecimento Ativo

Dra Isabela

Envelhecimento Ativo

“O termo “envelhecimento ativo” foi adotado pela Organização Mundial da Saúde no final dos anos 90. Procura transmitir uma mensagem mais abrangente do que “envelhecimento saudável”, e reconhecer, além dos cuidados com a saúde, outros fatores que afetam o modo como os indivíduos e as populações envelhecem” (Kalache e Kickbusch, 1997).

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde – Opas – OMS “Até 2025 o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Ainda é grande a desinformação sobre a saúde do idoso e as particularidades e desafios do envelhecimento populacional . Entre 1980 e 2000 a população com 60 anos ou mais cresceu 7,3 milhões, totalizando mais de 14,5 milhões em 2000. O aumento da expectativa média de vida também aumentou acentuadamente no país. Este aumento do número de anos de vida, no entanto, precisa ser acompanhado pela melhoria ou manutenção da saúde e qualidade de vida.”

Com o aumento na expectativa de vida nas últimas décadas, há uma preocupação em como manter esse aumento da longevidade associada a saúde. Pelo conceito da OMS se define a saúde como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades". De um modo geral os idosos são portadores de pelo menos uma doença crônica (como hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, derrame,osteoporose entre outras), mas isso não deve impedir que eles tenham uma boa qualidade de vida. Para isso se faz necessário que as patologias apresentadas sejam adequadamente diagnosticadas e tratadas.

Conceitos de Autonomia e Independência Funcional (AVDs e AIVDs)

O que se objetiva para um envelhecimento ativo é manter a autonomia, a capacidade de gerir a própria vida sem depender de terceiros. Logo o importante é que, como resultante de um tratamento bem-sucedido, seja mantida a autonomia do idoso, e que ele seja feliz, integrado socialmente. Além da autonomia outra questão importante a ser mantida no idoso é a sua independência funcional; com capacidade de realizar sozinho, atividades de vida diária (AVDs) e atividades instrumentais de vida diária (AIVDs). As AVDs incluem, por exemplo, tomar banho, se vestir, usar o banheiro e se alimentar e as AIVDs incluem atividades como fazer compras, realizar trabalhos domésticos e preparar refeições. Capacidade funcional surge, portanto, como um novo paradigma de saúde, particularmente relevante para o idoso.

Envelhecimento ativo, dentro dessa nova ótica, passa a ser a resultante da interação multidimensional entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica. Segundo a OMS “A palavra “ativo” refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho. As pessoas mais velhas que se aposentam e aquelas que apresentam alguma doença ou vivem com alguma necessidade especial podem continuar a contribuir ativamente para seus familiares, companheiros, comunidades e nações. O objetivo do envelhecimento ativo é aumentar a expectativa de uma vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, incapacitadas fisicamente, e que requerem cuidados. Além disto, o envelhecimento ocorre dentro de um contexto que envolve outras pessoas – amigos, colegas de trabalho, vizinhos e membros da família. Esta é a razão pela qual interdependência e solidariedade entre gerações (uma via de mão-dupla, com indivíduos jovens e velhos, onde se dá e se recebe) são princípios relevantes para o envelhecimento ativo. A criança de ontem é o adulto de hoje e o avô ou avó de amanhã. A qualidade de vida que as pessoas terão quando avós depende não só dos riscos e oportunidades que experimentam durante a vida, mas também da maneira como as gerações posteriores oferecerão ajuda e apoio.”

Como ter um envelhecimento com qualidade de vida ?

Nunca é tarde para se ter qualidade nos anos a serem vividos, para isso deve- se :

# praticar atividade física regular e moderada;

  1. melhor exercício = caminhar;
  2. constante: pelo menos 5 dias/semana;
  3. sem excessos: no plano, sem forçar;
  4. parâmetros: suar levemente, não deve sentir palpitações ou outros sintomas.

# ter uma alimentação saudável:

  1. rica em frutas,legumes e verduras;
  2. sem excesso de sal;
  3. rica em cálcio ;
  4. com pouca gordura.

# abster-se do fumo e do álcool.

# ter boa interação familiar e social :

  1. papel na família e na sociedade,
  2. manutenção de atividade produtiva, se possível,
  3. círculo de amigos,
  4. atividade com amigos/familiares: passeios, idas a cinema ou teatro,viagens,enfim ter como lazer o que der prazer.

# desenvolver o lado espiritual:

  1. importância da fé: razão para viver, motivação nas horas difíceis;
  2. importância dos princípios e valores;
  3. solidez de personalidade;
  4. estabilidade psicológica.

# ter atividade intelectual através de: leituras, cursos, se manter atualizado com o contexto atual.

#usar corretamente os medicamentos prescritos e seguir orientação da equipe de saúde.

Fontes:

01. Artigo Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos residentes em centro urbano: Projeto Epidoso, São Paulo. Luiz Roberto Ramos 11 Departamentode Medicina, Centro de Estudos do Envelhecimento,Universidade Federal de São Paulo.

02. Envelhecimento Ativo: uma política de saúde. World Health Organization; tradução Suzana Gontijo. – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005.

03. Envelhecer com qualidade de vida. Por Dr Emílio Moriguchi, professor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e chefe do Setor de Geriatria do Hospital São Lucas, também da PUC gaúcha.