Bioimagem

Dr. Carlos Gilberto Widmer

Bioimagem

Por mais que se olhe para trás, em todas as culturas, fez sempre parte dos anseios humanos a preservação da saúde, seja mediante a cura de seus males, seu alívio ou, ainda melhor, sua prevenção.

Nos últimos 50 anos os avanços da medicina são incontestáveis.

A progressiva melhoria da capacidade diagnóstica do médico, sem ser o único fator responsável pelo aumento da expectativa de vida humana, é sem dúvida, de grande relevância.

No bojo dos avanços diagnósticos, as técnicas de imagem vêm se destacando muito. O exame com os chamados Raios-X, centenário e pioneiro, vem sendo suplantado, em algumas situações, por novos métodos como a Ultrassonografia, a Tomografia

Computadorizada(TC) e a Ressonância Magnética(RM).

A associação do tubo de raios X produzindo imagens do corpo humano e processadas por computador foi uma descoberta que rendeu a seu inventor, o engenheiro inglês Godfrey Hounsfield, o Prêmio Nobel de Medicina em 1979. Nesse mesmo longínquo ano, tive a ventura de introduzir, em nosso Estado, a TC, utilizando um aparelho da EMI SCANNER, primeiro no mundo e único na Bahia, no Hospital Jorge Valente.

Com a TC, hoje, pela rapidez na obtenção das imagens, que já são produzidas sem solução de continuidade em tempo muito rápido, tornaram-se possíveis reconstruções em 3D e visualização da árvore vascular sem procedimentos invasivos.

A Ressonância Magnética (RM), posterior no tempo à TC, inicialmente quase que restrita em sua aplicação ao âmbito da Neurologia, já fez significantes progressos ampliando em muito suas indicações. Tem a seu favor a não utilização de radiação ionizante e contra si o alto custo da aparelhagem bem como seu peso e tamanho. Sua resolução de imagem associada a alguma avaliação funcional das estruturas estudadas a tornam imbatível.

A tomografia por emissão de pósitrons de extrema valia no diagnóstico e acompanhamento de pacientes oncológicos ganhou nova força quando associada inicialmente à TC e atualmente à RM nos chamados exames de PET/TC e PET/RM. A PET/RM é o protótipo de diagnóstico por imagem híbrido e permite combinar dados moleculares obtidos da tomografia PET e informações morfofuncionais derivadas da ressonância magnética.

O desenvolvimento da inteligência artificial já nos faz antever os dias, não tão distantes, em que esses aparelhos de imagem irão por eles mesmos interpretar os exames realizados.

A Ultrassonografia continua se impondo como o método de imagem mais difundido apesar de uma maior dependência do operador para sua melhor credibilidade. Isso pelo seu relativo baixo custo e portabilidade da aparelhagem. Sua utilização foi aos poucos se ampliando. Inicialmente quase que restrita a obstetrícia hoje imprescindível em medicina interna, cardiologia, angiologia, mastologia, avaliação músculo esquelética, urologia, ginecologia e mesmo neurologia.

Desse modo, a Bioimagem através de um dos seus métodos e muitas vezes pela combinação de alguns deles, vem modificando profundamente a propedêutica, acelerando os diagnósticos e oferecendo maior segurança ao acompanhamento terapêutico de grande parte das patologias humanas.

Carlos Gilberto Widmer

Médico Radiologista